Especial - Conceito e crescimento do público fujoshi! ~ Netoin!

domingo, 1 de setembro de 2013

Especial - Conceito e crescimento do público fujoshi!

O Rin, de Free!, com sua expressão facial mais costumeira.

Em dada oportunidade minha pessoa convidou uma jovem do site Twitter para traçar, com as palavras de uma fujoshi, como que era analisado o anime Free!. Sendo que o público-alvo da obra é composto por mulheres que anseiam em ver dois homens tendo um relacionamento (ou que possa oferecer material suficiente para nutrir tal pensamento), nada melhor do que uma integrante de tal grupo traçar as suas opiniões sobre a obra me si. Neste escopo, a jovem Maria Beatriz acabou realizando um ótimo trabalho com o seu guest post.

Entretanto, surgiu a  necessidade de se focar mais no termo fujoshi e aonde ele se aplica, efetivamente. Com tal dado em mente, ficou clara a intenção de chamar mais uma pessoa para explanar tais dúvidas e auxiliar nas definições sobre tal tema. Para a satisfação deste humilde blogueiro, uma jovem de Curitiba/PR aceitou o convite e dissertou, com propriedade, sobre o termo fujoshi e sua aplicabilidade real.

Nobre visitante, você é convidado neste momento à acompanhar o guest post da jovem Danusa Borges (conhecida por "Night Dragon Ninja" na internet), que irá explanar melhor sobre a temática proposta e algumas de suas variantes.

Tenha uma boa leitura.

A definição do termo fujoshi e seu crescimento
por Danusa Borges (convidada)

Mangás yaoi: a vertente para um público alvo.

Tem coisas que só o Japão pode nos oferecer. Em nenhum lugar do planeta, a exploração de títulos de sucesso provindos de desenhos animados e gibis é tão intensa. Fala-se aqui de desenho animado e gibi basicamente porque isso qualquer País tem, seja em pouca ou grande produção. A exploração em referência aqui é sobre a fantasia que se cria em cima dos títulos por parte dos fãs. Nenhum outro País possui a liberdade, a variedade e o fundo artístico quanto o Japão nessas obras. Normalmente, desenho animado e gibi são produtos para crianças em outros lugares. E isso gera certo preconceito quando um adulto se diz fã de animes e mangas, os desenhos animados e gibis japoneses. Pessoas que não conhecem, já acham que tudo isso são coisas para crianças. Na realidade, não é bem assim.

À partir disso, começo falando da exploração de títulos para o mundo feminino. Há pelo menos três gêneros: shoujo (para meninas e adolescentes), jousei (para mulheres adultas) e  um outro que comentarei mais adiante. Cada gênero possui histórias voltadas aos seus interesses, de acordo com a idade e situações da vida em que se encontram. Entretenimento e fuga da realidade como qualquer ser humano busca através de filmes, livros, novelas, teatros e tantos outros meios. São histórias feitas em sua grande maioria de mulheres para mulheres. Nos mangás por exemplo, temos o traçado típico: suave e limpo, cores claras, dentre outros artifícios que agradam muito aos olhos femininos. Temos histórias de romances, relatos do dia-a-dia de determinada profissão ou da vida escolar, príncipes encantados, um tipo de hobbie, heroínas que não precisam necessariamente estarem portando uma espada em mãos para se tornarem batalhadoras pelo que buscam, entre outras vertentes. A variedade é imensa. E a isso tudo adiciona-se uma forma de contar e desenvolver as histórias com pequenos detalhes que somente mulheres entenderiam.

Capa do segundo volume do tankohon Thomas no Shinzou.

Porém, dentro desse mundo, explorando mais a fundo ainda, há mulheres com um gosto que muitos diriam um tanto incomum. Embora minha pessoa desconheça exatamente sobre quando isso começou, mas foi no ano de 1974 que foi publicado o primeiro mangá desse último gênero que quero comentar, o yaoi. Esse manga ficou muito famoso, chamado Thomas No Shinzou. Era uma obra de conteúdo homessexual masculino, com toda a beleza e delicadeza do traçado shoujo, da autora Moto Hagio. Com isso, as mulheres começaram a desenvolver um gosto por histórias homossexuais entre dois homens. No passar dos anos isso foi ficando mais forte, surgindo mais mangás e até o primeiro anime (ou um dos primeiros), em 1987, chamado Kaze To Ki No Uta. Esse anime foi baseado no mangá de mesmo nome da autora Keiko Takemiya, publicado em 1976.

Fato é que esse gênero foi crescendo tanto que termos como o "yaoi" foram criados para descrever tais obras homossexuais, e "fujoshi" para descrever as apreciadoras dessas obras. Fujoshi, ao pé da letra, significa "garota estragada". Garota estragada por gostar de ver homossexualismo masculino, que para muitos ainda hoje é um fato estranho e misterioso. Nos anos noventa, muitos animes e mangás yaoi já faziam parte normalmente dos gêneros disponíveis nesse mercado de entretenimento. Mas para as fujoshis, não bastava apenas obterem isso através de suas artistas favoritas de manga, por exemplo. Era preciso explorar mais, muito mais. Uma busca incessante para satisfazer seus desejos por yaoi, fãs que faziam publicações amadoras de títulos já existentes.

Jogos para PSP visando o público feminino.
Há simuladores de encontro em alguns destes títulos.

Publicações de mangás (doujinshis), ilustrações (fanarts), fanfics (histórias escritas) e outras modalidades de publicação/visualização, contendo normalmente acontecimentos que elas gostariam de ver e não viram, ou um sonho secreto. Muitas vezes partindo para a pura pornografia. Envolvendo não só títulos yaoi genuínos como também de outros gêneros como o shounen (para meninos e adolescentes). Os títulos shounen eram/são os mais famosos, sendo conhecidos até fora do Japão. E as fujoshis gostavam de transformar em yaoi todos os tipos de história que lhes interessavam.

A indústria, vendo esse grande público fujoshi, foi criando oficialmente mais material para consumo delas. Nos anos noventa já existiam alguns drama CDs yaoi, com dubladores interpretando histórias de mangás mais picantes que com certeza não se transformariam em animação, ficando só no áudio. É óbvio que com animes e mangas já sendo conhecidos no mundo inteiro, fãs estrangeiras também adotaram essa forma de adorar seus títulos favoritos como faziam as japonesas, ou seja, criando também seus fanarts, fanfics, cosplays, entre outros. Mulheres que imediatamente se viram apreciando profundamente o yaoi.

Cena de uma das séries de filmes Takumi Kun.
São cinco filmes ao todo, baseados no mangá de mesmo nome.

Mas o que o yaoi tem de especial? Por que as mulheres gostam tanto? É meio difícil de responder esse fascínio. Algumas devem gostar porque acham bonito, outras porque preferem ver seus personagens masculinos favoritos juntos sem a intromissão de uma mulher, e outras ainda porque se excitam com isso. De certa, forma tornou-se um tipo de fetiche, algo erótico e prazeroso, ao mesmo tempo que é sublime, envolvendo quase sempre homens bonitos se amando.

Nisto é feita uma volta ao ponto original do texto, exclamando que tem coisas que só o Japão pode nos oferecer. No final dos anos noventa, com o advento da internet, tudo foi ficando mais fácil e mais divulgado. Hoje há fujoshis pelo mundo inteiro e a indústria no Japão está sempre inovando em agradá-las com lojas especializadas, drama CDs, jogos de videogame, filmes, entre outros produtos que vendem bastante. Atualmente também há animes que possuem muitos personagens masculinos, inclusive shounens entre outros gêneros (mesmo não sendo yaoi) onde o fanservice está presente. O fanservice serve só para atrair mais público (no caso o feminino), e só enxerga isso quem quer. Em outras palavras, é uma manobra proposital que só ativa a imaginação das mulheres e faz tais títulos ficarem mais famosos ainda.

Junjou Romantica, um dos mais famosos animes de conteúdo yaoi existentes.
Os principais personagens formam três casais ao todo.

Conceituar um exemplo para a afirmativa acima é simples. Imagine que há um personagem que é muito amigo de outro, e nada além disso. Pode parecer inocente aos olhos de qualquer um, ou dos que não estão acostumados em assistir animes. Mas o roteirista e diretor do anime, já colocam o fanservice pois sabem que isso abrirá infinitas possibilidades homossexuais dentro da mente das fujoshis. E isso significa aumento nas vendas, além do público alvo. Tudo muito esquematizado e bem calculado.

Vale lembrar que no Japão não é mais comum usar o termo yaoi e sim "BL" (boys love). Yaoi se usa mais em outros Países. Homem que aprecia obras yaoi é chamado de "fudanshi", ou seja, "garoto estragado". Mas nada que seja pejorativo, pois isto é apenas um modo usado para identificarem os fãs (embora no começo da febre yaoi, fujoshi foi sim um termo pejorativo para as mulheres). Fudanshis não precisam necessariamente serem gays, como muitos pensam. Pois os bons apreciadores de mangas e animes gostam de qualquer gênero, desde que se tenha uma boa história.

Mangás de temática BL, com pôster que identifica a seção.
Loja Animate, em Tóquio.

Por último, é válido citar que não se pode tratar obras yaoi como material para homens gays. Mesmo que até venha a agradar, não é o público alvo, já que a visão que as mulheres têm desses romances homossexuais masculinos é totalmente distorcida muitas vezes da realidade deles. Para eles há material nesse mercado, como o bara, por exemplo. Mas isso já é um outro assunto.

Espero que tenha gostado deste texto, feito para você saber um pouco mais sobre o termo fujoshi e onde ele se aplica. Quem sabe apareço por aqui novamente, certo?

Até mais!
* Palavras de Carlírio Neto... 
Minha pessoa agradece a Danusa Borges por ter aceito o convite ao guest post e ter feito o mesmo com muita vontade e propriedade nas palavras. Muito agradecido, nobre!
Amigo visitante, não deixe de opinar sobre o que
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Até a próxima!

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O autor do NETOIN! é...
Carlírio Neto Carlírio Neto, um fã de animação e cultura japonesa desde os anos noventa. Dramas são a especialidade pessoal. O personagem Wataru, de Sister Princess, representa bem a personalidade deste humilde blogueiro. Veja um pouco mais sobre o autor do blog NETOIN!aqui.

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4 Comentários

  1. Hey! Danusa sempre com seus textos inteligentes *_* Que orgulho.
    Ótimo texto, amiga... Parabéns.
    E escreva mais, viu!? ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Saudações

      Nobre Shamps, tenha certeza de que a Danusa aparecerá mais vezes por aqui...^^


      Até mais!

      Excluir
  2. Só uma pequena correção, shoujo, josei, shounen, ambos não são gêneros, mas demográficos. É uma diferença notável, levando em conta que gênero define conteúdo, enquanto demográfico, diz respeito ao publico alvo. Espero não estar sendo muito chata, é uma confusão comum em que até eu caio as vezes, mas se policiar é importante :D

    ResponderExcluir

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