Refletindo sobre Kill la Kill - Episódios #1 ao #9 ~ Netoin!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Refletindo sobre Kill la Kill - Episódios #1 ao #9

Ryuuko...

Quando um ideal vem à tona...

Calorosas saudações para você, amigo visitante. O NETOIN! se nega à ficar parado, mesmo com todas as movimentações acerca de mais um final de ano que tem se aproximado. Com isso, muitas matérias estão para serem lançadas e, na semana de sétimo aniversário desta humilde morada na internet, haverão muitos textos bons e de qualidade em seu pronto aguardo.

De momento, um anime chamará a sua atenção. Trata-se de Kill la Kill, um dos atuais hits da animação japonesa e que tem cativado à muitos ao redor do mundo. Independente de quaisquer outra opinião ou afirmação, este anime tem construído o seu espaço e chamado a atenção para tanto, trabalhando temáticas e características que vão desde a sua animação, passando pelo linguajar de seu elenco, a OST vibrante, até chegar ao fanservice (para muitos demasiadamente exagerado).

Leitura recomendada aqui no NETOIN!

Leitura recomendada no site parceiro Elfen Lied Brasil

Com base nisto, uma ideia ganhou consistência com o passar dos dias. A mesma estava em chamar algumas pessoas do Twitter para ter uma conversa franca e positiva sobre Kill la Kill, ao melhor molde do que pode ser presenciado no blog parceiro OtomeGatari em sua série de posts Comentários Zenmanais.

Desta forma, a jovem Juliana Helena (que sempre tem opinado com afinco sobre o anime na citada rede social) será a convidada de honra do NETOIN! nesta pequena série especial, que entra como guest post para ela. Nas próximas linhas você lerá uma conversa totalmente descontraída entre a minha pessoa e a citada nobre amiga, onde várias características acerca de Kill la Kill foram tratadas.

Amigo visitante, tenha uma boa leitura.

Refletindo sobre Kill la Kill
- episódios #1 ao #9 - 
Uma conversa entre Carlírio Neto e Juliana Helena

Todos os temas sendo tratados.

Carlírio: Juliana, acho que poderá me contradizer bonito agora, mas acredito que Kill la Kill é tão descompromissado em suas ações que, mesmo nos momentos nos quais a ficção se choca com a realidade, o anime trabalha o escopo (ideia) com muito humor. Destaco o episódio #7, referente a família da Mako. Você pensa assim também ou tem uma análise diferente?

Juliana: Bom... Não sei se eu diria descompromissado, mas pode ser mesmo o caso, já que o objetivo principal de Kill la Kill é justamente divertir. Agora, ele é tão sutil e certeiro quanto às, digamos, cerejas do bolo que eu não sei se poderia usar essa palavra. Talvez o seja, ou não. Enfim... Ô divagação mais maluca essa minha. Tomara que você edite o texto, hehe!

Carlírio: Entendido! hehehe...
Mas concordo muito contigo sobre a diversão no anime... Ela flui naturalmente, não dando margens para muitos equívocos... Entretanto, já no primeiro episódio (recordo-me bem) o pessoal simplesmente alfinetou gravemente o anime pela sua questão do uniforme da Ryuuko e, mas tarde (no capítulo #3) com o uniforme da presidente do Conselho Estudantil. Gostaria de saber seu ponto de vista sobre isto.

Juliana: Opa. Com todo o prazer.
Em primeiro lugar, é claro que os uniformes Ketsu foram desenhados daquela forma porque:
* 1 - geraria repercussão;
* 2 - imagina as figures!
No entanto, Kill la Kill é tão satírico que é perfeitamente possível encarar aquilo como uma crítica. Melhor, o anime é até bem explícito quanto a isso. Como quando, no episódio passado, o Gamagoori criticou a Ryuuko por estar usando uma "roupa de prostituta" e tentou por a oponente em um molde que a transformaria em uma mulher ideal.

Carlírio: Mulher ideal nos padrões dele, Gamagoori, e da sociedade como um todo, correto?

Juliana: Exatamente.

Carlírio: Compreendi.

Parte do fanservice presente na obra.

Juliana: Aliás, um adendo.

Carlírio: Pode mandar.

Juliana: No episódio #2 (e inclusive um dos posts da Roberta cita isso), a Ryuuko cai de mal jeito e fica numa posição que a platéia acaba "interpretando de outra forma". E ela não fez nada intencionalmente. Ela não quer chamar a atenção de ninguém quanto a isso. Ryuuko apenas quer lutar e vingar a morte de seu pai. O anime deixa claro que a perversão, na verdade, está em quem vê.

Carlírio: Conceituando: se você assiste a cenas como as citadas em Kill la Kill, com amente já dilatada para tal aspecto, fatalmente você enxergará apenas isto na obra. É uma lógica interessante, Juliana.

Juliana: Espera... Como assim?

Carlírio: Desculpe-me. Vou conceituar. O você, no caso, é quaisquer outra pessoa... O que quis dizer foi que: se a pessoa olha para cena "x" do anime já tendo em seu imaginativo a perversão, então fatalmente todo o restante da obra será visto por esta pessoa de igual forma...

Juliana: Bom, na verdade, falei isso mais sobre quem está lá dentro, os personagens. Mas também vale para o espectador também. Fanservice é para isso.

Carlírio: Correto.

Juliana: Agora, não vamos generalizar. Isso não impede uma pessoa de ver outras críticas que Kill la Kill faça. Ainda que esse ponto, o da sexualização da Ryuuko, seja importantíssimo. Na verdade, dá para ver bem que não era necessário que as roupas fossem daquele jeito. Foi um capricho do pai da Ryuuko. O que é algo meio insano da parte dele... Ele quis vestir uma mulher de forma que ela fosse vista ou como uma puta ou com um objeto de prazer. Mesmo que essa mulher fosse a própria filha!

Carlírio: Vou pegar o pressuposto lançado por ti então... O pai da Ryuuko agiu propositadamente com tal uniforme. A intenção clara era do abalo visual. Uma prerrogativa clássica. Funcionou com alta perfeição, nobre. Isto ninguém tem a coragem de questionar... Muito embora eu não faria tal uniforme no lugar dele, mas tudo certo até aqui... Há um simbolismo nítido nisto...

O poder e a glória dela, Satsuki!

Juliana: Aliás... Uma coisinha interessante...

Carlírio: Sim?

Juliana: Vai parecer que mudei de assunto, mas já já volto ao ponto.

Carlírio: Tudo bem, pode dissertar.

Juliana: Bem e mal. Lutamos pelo primeiro, rejeitamos o segundo. Portanto, é preciso fazer com que as pessoas acreditem que pessoa/empresa/sistema x está do lá do bem.

Carlírio: Em outras palavras, tu quer dizer que aquilo visualizado por meio de Kill la Kill se faz assim presente não apenas para entreter, mas também para mostrar (à partir do humor) uma forma de crítica à muito do que ocorre ao nosso redor (socialmente falando).

Juliana: Sim. O que legitima o governo (podemos chamar assim) da Satsuki é a crença de que isso traz a ordem, a paz e... O bem. A própria Satsuki aparece como uma encarnação da justiça e da liberdade, embora todos nós saibamos que ela é exatamente o contrário. É tão assim que, se a gente parar para pensar, o ato dela de usar o Junketsu é visto como uma espécie de sacrifício. Se para defender seu povo é preciso se vestir "como uma prostituta", então que seja assim feito!

Carlírio: "Façam o que eu digo! Mas não façam o que eu faço!"

Juliana: Mas a Ryuuko não... A Ryuuko é má. A Ryuuko não se dá ao respeito e ainda por cima quer perturbar a ordem. Não pode, não pode... Aliás, a despeito disso, tenho a impressão de que também teve quem aproveitasse aquela ocasião da luta dela com a Ryuuko para fantasiar algo. Mas... Tem que fazer respeitosamente. Afinal, ela é a Satsuki.

Carlírio: Ah sim, com certeza... Todo o cuidado é pouco e trivial... Pois ela é a Satsuki (o Gamagoori não está vendo isto, então ok). Confesso aqui uma coisa, nobre... No primeiro momento, eu não julguei a Satsuki como uma pessoa tão má, mas as ideias mudam... Especialmente quando tu revê cinco episódios e chega em um denominador comum assustador... O dela, Satsuki, "apenas" querer que o mundo siga uma moldura por ela estampada. Sua justiça, na verdade, não é uma justiça plena... Aliás, passa distante.

Juliana: Agora, eu acho que a Satsuki pode ter sido a Ryuko do passado.

Carlírio: Também penso isso...

Mako, a personagem de alto fator carisma do anime.

Juliana: O mundo anterior também não era lá muito justo. Ela, então, resolveu mudá-lo. Do jeito dela. Inclusive, foi justamente assim que o fascismo e o nazismo ascenderam na Europa no início do século passado. Aí está o link.
À propósito, Carlírio, já pensou se a Ryuuko se vê na mesma posição que a Satuski está agora e... Eu acho possível.

Carlírio: Penso isto também, Juliana. Realmente, se ela alavancar-se na posição que a Satsuki se encontra, acaba sendo questão de tempo para algo assim ocorrer... Como diz o ditado: "O poder corrompe". Só não sei dizer sobre até que ponto a Ryuuko se "corromperia" com tal poder... Sinceramente, não sei...

Juliana: Talvez ela até caísse em si depois. Como aconteceu com a Mako.

Carlírio: Mas a Mako... Ah, a Mako... Eu acredito que, no fundo, ela sempre acreditou que algo tava errado ali... Falando nesta personagem, acho incrível como ela se comporta, age e intergae com tal ambientação... Você vê a Mako assim também, Juliana?

Juliana: A Mako é paradoxal. Essa é a palavra. Ela sempre esteve até o pescoço dentro do sistema, ela já o tinha internalizado. Mas, ao mesmo tempo, dá toda aquela força pra Ryuuko.

Carlírio: Sim. Podemos dizer aqui que a Mako é uma grande amiga para a Ryuuko, com a ação ocorrendo de igual maneira por parte dela (Ryuuko) também... Esse é um ponto extremamente positivo para Kill la Kill...
E antes de encerrar, no que tange à ponto positivo... Tem a questão da animação... O anime sobrepujou-se nisto, com propriedade. Ousou fazer uso de um visual mais retrô em seus cenários e animação propriamente ditos, e isto tem dado muito certo.

Juliana: Isso já é marca registrada dos animes do Imaishi. A novidade (acho) foi ele beber tanto de um estilo de animação que é característico de séries mais antigas. Acho que eu nunca vi em um anime recente, por exemplo, aquele efeito de congelar e estilizar uma cena marcante. E é algo que em "A Rosa de Versalhes" tem quase de 5 em 5 minutos, hehe!

Carlírio: A Rosa de Versalhes tem muito disto, verdade seja dita. Mas Kill la Kill chama a atenção nisto realmente com o propósito de cativar o público. É escrachado, nonsense e tudo o mais. Mas é a realidade dá obra, dá certo e vem colhendo os seus frutos desta maneira.

Juliana: Pois é.

Carlírio: Por hoje encerramos aqui, Juliana. Agradeço por sua participação e até a próxima.

Juliana: Até mais!

Com isto encerra-se a primeira parte da proposta de conversação. Como já enfatizado anteriormente, a ideia original pertence aos nobres amigos do blog parceiro OtomeGatari (a Marcela Botelho e o Claudionor), no qual todo e qualquer crédito por esta linha de postagem cabe unicamente à eles e ao citado blog.

Amigo visitante, não deixe de manifestar aqui a sua opinião pois, em breve, mais um post deste segmento irá aparecer aqui no NETOIN!.

Até a próxima!

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Carlírio Neto
Carlírio Neto, um fã de animação e cultura japonesa desde os anos noventa. Dramas são a especialidade pessoal. O personagem Wataru, de Sister Princess, representa bem a personalidade de minha humilde pessoa.

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2 Comentários

  1. Eeeei, essa foi uma das melhores discussões sobre Kill la Kill que já vi! =D
    Sempre acho uma ótima ideia a criação de posts com essa estrutura, Carlírio. Foi um pequeno debate, mas que deixou muitos pontos de vista (dos quais eu concordo à minha maneira XDD)
    Um ponto importante que acho interessante comentar é o modo como vocês retrataram a relação da Satsuki x Ryuko. A rivalidade, o jogo de poder, e o modo como as duas, de certa forma, se assemelham - mesmo que suas motivações sejam diferentes - é uma das melhores jogadas de Kill la Kill. Eu sinceramente adoro essa dinâmica que está sendo construída entre e ao redor das duas. Elas estão definitivamente fora dos padrões daquele sistema. A própria Satsuki contradiz o que criou, desfaz e refaz regras conforme sua vontade, mas suas ações - que inicialmente partiam apenas de um ideal bem particular - estão agora interligadas com a existência da Ryuko, que quebra tudo por dentro e por fora, com uma inconsequência absurda que só deixa a história ainda mais instigante. Eu acho isso sensacional. A maneira que elas estão sendo desenvolvidas na história dá a impressão de que uma não vai a lugar nenhum sem a outra. Essa sensação de continuidade e dependência entre personagens, num cenário de ordem aparente na qual o poder corrompe tanto quanto pode ser corrompido, é uma jogada e tanto! Principalmente porque as opções de desfecho são várias, o que torna a obra imprevisível da melhor maneira possível.
    Kill la Kill está sendo, sem dúvida, um dos melhores animes dessa temporada. É do tipo que pode desencadear as mais variadas discussões e contestações, e tudo isso através de um cenário que vai do cômico ao crítico, sem se perder na própria estrutura.

    Ótimo post!
    No aguardo de mais debates sobre a obra (:

    Até mais o/

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    Respostas
    1. Saudações


      Fico contente em saber que gostaste desta ação, nobre Adrielle.
      Realmente, Kill la Kill tem os seus pontos de amostra de trabalho no enredo bem visíveis.

      Alguns lances de crítica à nossa sociedade são igualmente bem visíveis nesta obra.

      A maior dúvida está justamente na questão Ryuuko e Satsuki. Mas isto com certeza é algo que haverá de ser discutido para breve.^^


      Até mais!

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