[N! 8 Anos] Falando sobre o fandom... ~ Netoin!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

[N! 8 Anos] Falando sobre o fandom...

A chamada oficial da campanha.
O momento é para um importante resgate opinativo...

As festividades pelo oitavo aniversário do NETOIN! estão apenas no início de seu ciclo. Não obstante à isto, é chegado o momento do segundo guest post especial se fazer aqui presente, consolidando não apenas um laço de ligação fraterna entre este humilde espaço e o site que atendeu ao chamado, como também mostrando que a união de blogs e seus responsáveis é algo mais sólido do que se pode imaginar.

Com isto a jovem Roberta Caroline, administradora do site parceiro Elfen Lied Brasil e que também escreve para o igualmente parceiro Kono-Ai-Setsu, atendeu ao mais novo convite feito por minha pessoa e lhe apresentará um post digno de sua leitura e pronta troca opinativa acerca de um tema bastante prático para tanto, nobre visitante.

Tendo a sugestão proposta aceita, a nobre Roberta abrangerá o seu conhecimento sobre o fandom em si. No caso, ela desenvolverá com seu texto as definições mais diretas possíveis para tal nomenclatura, bem como buscará mostrar as formas com as quais um fandom nasce, se estabelece, mantem-se e, dependendo do caso, possa até cair no esquecimento. Em outras palavras, este ´um convite para um post dos mais dignos, o qual você poderá começar a ler à partir deste momento.

Tenha uma boa leitura.

Falando sobre o fandom...
por: Roberta Caroline, do site parceiro Elfen Lied Brasil

Elfen Lied, um exemplo de clássico para o fandom do seu gênero.
Chamamos de fandom um conjunto de fãs de uma determinada série que obviamente compartilham um interesse em comum. Este conceito foi se tornando muito amplo, por exemplo, não se resume mais a fãs de determinada série de livros, quadrinhos, seriados e afins, mas a qualquer grupo apaixonado por algo que se reúne para discutir diversos detalhes que passam despercebidos [ou simplesmente não estão em sua zona de interesse] por outras pessoas. Por exemplo, temos fãs de editoras, de empresas de tecnologias, marcas, de tudo que você consiga imaginar. Ou seja, o fandom é um culto que destruirá a sua vida. Mas bem, a gênese do fandom é exatamente essa, onde se entra em uma comunidade de algo que você gosta e dela participa contribuindo com o grupo, seja com discussões, respostando e disseminando a "palavra sagrada". Fazer parte de um fandom consome tempo, por isso quem geralmente faz parte desses grupos, é a pessoa que realmente gosta de uma série e se interessa por tudo que a envolve, é uma experiência multimídia, ativa, que transcende o tempo de exibição.

Claro que a comunidade de fãs é igual à sociedade civil, havendo as áreas com maior densidade e participação e as áreas cinzentas, como pessoas degeneradas que produzem fanfic e fanarts pornôs de My Little Pony (existe um lugarzinho no inferno especialmente para essas pessoas). Acho interessante que, ao se falar de fandom, naturalmente pensamos na era pós-popularização da internet, afinal o próprio conceito de fandom moderno é atrelado à rede mundial de computadores, e evoluindo conforme o passar do tempo. Hoje, fandoms são responsáveis por disseminações de memes e novos termos, e com uma linguagem bem especifica, empregando palavras como nfsw, ship, canon, anon, cosplay, além da própria palavra fandom – oh sim, comunidades de fãs existem ha mais tempo do que você possa imaginar, remontando à década de 1930, embora em tal época não existisse um termo tão especifico para defini-lo. Nos tempos modernos da internet popular é fácil se integrar a um fandom, e por isso sua rápida população, surgimentos de termos, sufixos e etc. e etc, é um mundo complexo, uma vórtice que você só pode compreender completamente se faz parte do mesmo, e olhe lá (não por acaso, existem páginas especificas na internet com tropes e dicionários de sufixos).

Extremamente sugestivo.
Agora, nos tempos difíceis, era algo que realmente exigia paixão, para organizar encontrões de pessoas de diversas cidades diferentes, trocar correspondências, se manter informado – isso tudo exige uma logística tão grande, que realmente necessitava paixão, fidelização e grana. Se pensar que as primeiras evidências remontam à década de 1930, mas que isto se estende por tempos muito longínquos e de um modo comportamental diferente, entendemos que isto apenas reflete a necessidade do ser humano de se integrar aos demais em torno de um objeto de culto e adoração. Um sentimento em comum que faz nos sentirmos preenchidos. É solitário gostar de algo e não ter com quem discutir, outras pessoas para viver ativamente aquela experiência, mesmo os grupos que preferem viver o underground e se sentem superiores por isto, também não poderiam existir se não fosse a existência deste pequeno grupo de pessoas distintas.

O termo “fã” está banalizado, porém ele ainda atende genuinamente à ideia de ser ativo em relação a algo, que é o que diferencia um leitor/expectador passivo de um ativo. Acho que me desviei um pouco da linha de raciocínio original, mas precisava disto para me fazer melhor entender quando digo que “fandom” é apenas um termo para uma atividade que está intrinsecamente arraigada no que é ser humano e viver em sociedade. No fundo, a maioria possui essa necessidade de integração e o próprio termo fandom ser descrito como comunidade, demostra que é apenas um termo que abrange características de segmento, de algo bem mais abrangente.

Let's go!
O ser humano sente a necessidade de integração, mas nem todos estão dispostos a interagir fisicamente um com o outro. Neste aspecto, a internet se tornou uma importante ferramenta que permite uma integração virtual que exige muito pouco dos seus integrantes, praticamente uma experiência metafisica. E por isso que este segmento de “fandom”, grupos de nerds que vivem à margem dos conceitos morais e tradicionalistas da sociedade dedicando seu tempo a banalidades fúteis, se tornou tão popular e cresceu assustadoramente em pouco mais de uma década – uma evolução superior ao ocorrido em todo século XX.

Tudo bem, não é uma comparação justa, nem tão pouco válida. Se tratando de grupos de uma subcultura, seu desenvolver está diretamente atrelado aos valores culturais regentes naquele determinado período. Por isso compreendo o apelo nostálgico entre os “primeiros otakus” ocidentais, aqueles que vivenciaram uma época amarga em que a internet não era popular e descobrir informações sobre determinada série era algo complicado, além de muitas informações naturalmente serem equivocadas. Revistinhas de anime e mangá famosas nos anos de 1990 no Brasil hoje se tornaram um produto de apelo cult, lembranças de encontros periódicos em eventos e as trocas de gastas fitas de vídeos povoam as discussões nostálgicas – e acompanhando-as, você percebe muita paixão envolvida.

07th Expansion.
* Sobre a imagem acima...
07th Expansion, circulo de doujin formado por Ryukishi07 que conta com obras como Higurashi e Umineko. Formou um grande fandom em torno de si, obtendo sucesso em uma empresa doujin circle, ou seja, que produz publicações amadoras conhecidas como doujinshis, ou melhor, publicações independentes – o termo doujin circle pode ser enganoso, pois muitas vezes ele é formado apenas por uma pessoa. No caso da 07th Expansion, se trata de um grupo bem reduzido, mesmo atualmente gozando de tantos rendimentos. Estes grupos publicam suas obras em Comikets, eventos que reúnem milhares de fãs japoneses de anime, mangá, games e relacionados. É de lá que saem muitos doujins pornôs de sua obra preferida.
Qualquer um destes, em sã consciência, sabe que hoje é uma época muito melhor para fãs de animes e mangás. Mas é compreensível que mesmo diante de tantas dificuldades, aquela época tenha se torna uma experiência tão incrível para eles, afinal é a dificuldade de se conseguir algo que o torna tão significativo, mesmo quando de fato não seja algo tão grandioso assim. Porém, muitas séries que veneramos, sob a lente de uma análise fria e desapaixonada, também não são tão originais e grandiosas, mas se tornaram marcos, ícones de uma geração, representaram o sentimento de toda uma comunidade, alimentando seus espíritos famintos, e por isso se tornaram cults. É a experiência de se assistir algo que o torna menor ou maior.

Quantas obras achincalhadas, odiadas e incompreendidas no passado, hoje foram revisitadas e acolhidas apaixonadamente como uma obra seminal, visionária e/ou apaixonante? A experiência está atrelada ao tempo, a cultura de uma época. Portanto, é compreensível que fãs sentem uma paixão especial por um tempo em que era difícil alimentar seu instinto voraz por novidades e, por isso, valorizavam melhor algumas séries [talvez até mais do que merecem, de fato] – embora, particularmente, eu não gostaria de ter vivido esta época e abrir mão de todo o conforto e materiais que alimentam minha paixão, hoje.

Fãs fazem fila para o longa-metragem Yamato (1977).
Agora mesmo, neste momento, ao divagar sobre fandom, estou sendo tragada por uma vórtice de assuntos que compreendem este termo, minha mente me leva aos anos de 1980 no Japão, quando a palavra anime, as revistas voltadas para anime e o próprio fandom de animes, se popularizaram e, por que não, ganharam vida e forma com Space Battleship Yamato, Akira que tomou o ocidente e se tornou uma febre quando sequer as pessoas sabiam o que e o que significava a palavra “anime”, formando um culto e a base definitiva fragmentada para o fandom de animes ocidental. Como disse, é uma vórtice que te traga para dentro, a quantidade de assuntos e correlações a se abordar é imensa e não cabem em um simples texto, mas penso que não posso termina-lo sem comentar acerca do nosso fandom, o de animes. Em especial, o tupiniquim.

Sabe-se que cada fandom possui suas características predominantes, como por exemplo, uma que compreende o fandom de animes de um modo geral no mundo inteiro, é a questão do fanservice. Diferentemente de como ele é compreendido e discutido em outros fandoms, no otaku o que se chama de “fanservice” sempre gera desastrosas polêmicas, que algumas vezes culmina até na perda de amizades, blocks, mutes e a senhora mãe envolvida. É uma questão complexa, porque é a própria indústria que fomenta isto – os investidores e os criadores sabem que fanservice não é o que vai decidir, por si só, se uma obra vende ou não, mas que se trata de uma pitada que é atrativa para maior parte do fandom, é com um bolo em que todos os ingredientes devem ser dispostos sabiamente.

Imagem do anime Yamato original.
Embora eu tenha me referido ao fanservice na escala erótica, pela qual é mais conhecido, o fanservice não se resume a isto. O ship, por exemplo, é mais do que o erótico, pois trata-se do tipo de fanservice que hoje é imprescindível em qualquer obra para fomentar um fandom (vide post temático interessante que desenvolvi no blog Kono-Ai-Setsu, ao clicar aqui). Trocando em miúdos, uma obra se faz pelo seu fandom. Então sim, a comunidade de fãs possui uma grande influência, às vezes direta outras vezes indireta, sobre uma obra, e sabendo disso, investidores e criadores permeiam a obra com diversos elementos que movimentem ou possua capacidade de emergir um fandom; tais como insinuações de romance ou tensão sexual entre personagens do mesmo gênero sexual, não se restringindo mais a mesmo gênero, entre outras particularidades.

A indústria fomenta, e não apenas a de animes, mangás e relacionados, mas toda e qualquer indústria. Porém, no fandom de animes, as reações sobre fanservice são mais polarizadas que em qualquer outro, com às vezes discussões que se resumem a isto. Penso que isto ocorra por diversas questões, portanto algo complexo de se definir, mas posso citar que a proximidade maior [pelo fato de a indústria de animes, mangás e etc. ser muito menor que outras] e o fato de serem desenhos são algumas das possíveis causas. Também há a complexa questão do que e como definir um fanservice, e nem somando os maiores estudiosos no assunto, se chegaria a uma opinião uniforme.

Uma imagem para exemplificar todo o momento...
E quanto ao tupiniquim? Acredito que nossa maior característica é a de um fandom de Facebook e Tumblr, em formação, ainda muito desfragmentado. Isto se deve a ausência de uma indústria forte de anime-vídeo, mangás e consequentemente de empresas e produtos voltados para o assunto, embora no que tange a mangás publicados, tenhamos evoluído bastante e em constante amadurecimento. O nosso primeiro forte fandom de animes fora formado ainda na década de 1990 com Cavaleiros do Zodíaco, e depois outros que auxiliaram no seu desenvolver, mostrando que ter séries que se sobressaiam no mercado de vídeo é um grande formador de comunidades. Se não existe fandom, não pode existir uma indústria.

Por mais que os consumidores de mangás em nosso país sejam de pessoas comuns alheias às comunidades otakus online, eles formam uma comunidade que compra mangás por gostarem da narrativa e características de um mangá, ou seja, compram porque é mangá e gostam daquele estilo, da mesma forma que os fãs quadrinhos ocidentais preferem estes à mangás; poucos são os que compram pela qualidade da história, independente do formato. Assim sendo, podem não ser uma comunidade que se relaciona fortemente entre si, mas demonstra o quanto a ideia de fandom está em muitos lugares, a despeito do que convencionalmente se entende pelo termo na era da internet.

Ichinose Kotomi, de Clannad: o fandom do gênero desta obra é também exigente.
Sou muito grata a esta casa que tem me acolhido com tanto carinho, por me oferecer a oportunidade em mais um texto de estar participando de suas festividades (já está virando tradição por aqui). Oito anos é um marco para um blogging que não se ganha nenhuma remuneração. Manter um blog não é fácil, ainda mais constantemente atualizado. Depois de tanto tempo, com a identidade já estruturada e leitores fidelizados, pode-se ter a impressão que é mais fácil, mas muito pelo contrário, é uma estrutura que exige constantes atualizações e a imensa quantidade de conteúdos criados se torna um obstáculo frente a qualquer nova mudança. É como estar em um casamento, depois que a chama diminui e você se depara com a rotina, a gente nunca sabe como vai reagir, é imprevisível. Ficam aqui meus sinceros parabéns ao NETOIN!.

Imensuravelmente, a minha pessoa agradece à nobre Roberta Caroline por mais esta participação festiva aqui do NETOIN!, com uma contribuição de imensa valia.
Nobre visitante, aguarde pois mais posts especiais, visando esta campanha tão especial, 
logo estarão disponíveis aqui para você, com total seguridade.

Até a próxima!

O NETOIN! está com você, no Facebook e no Twitter

[ made in #netoin8anos ] 


Conheça o autor do NETOIN!, visitante...
Carlírio Neto
Carlírio Neto, um fã de animação e cultura japonesa desde os anos noventa. Dramas são a especialidade pessoal. O personagem Wataru, de Sister Princess, representa bem a personalidade de minha humilde pessoa.

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4 Comentários

  1. Ótima matéria da Roberta, e ótimo blog também, espero que continue a postar nele depois desses 8 longos anos, estarei acompanhando.

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    1. Saudações


      Grato por suas felicitações, nobre Vinícius.
      E sim, a Roberta sempre faz posts deveras grandiosos.

      Seja bem-vindo.


      Até mais!

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  2. Que lindo!! Humildemente - como você diz e realmente precisava dizer aqui porque é verdade, haha - parabéns, Carlílio. :)
    Conheço seu blog já há bastante tempo (desde 2009, talvez?), apesar de não ser comentarista, mas nunca tinha parado pra pensar... Oito anos é realmente muito tempo pra se manter um blog; é muito esforço despendido. Felizmente, o resultado aqui é de dar orgulho. Parabéns pela história, mas mais ainda, pela abertura pras opiniões e mudanças e o conteúdo informativo e diversificado do blog. (^_^)y Que você e o Netoin! tenham cada dia mais sucesso.

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    Respostas
    1. Saudações


      Nobre Chell, agradeço imensamente pelas suas palavras sinceras e de grande respaldo.

      Conheci seu blog tem pouco tempo, é bem verdade, mas espero pode sempre nele entrar, ler seu ótimos posts e comentar em tais quando possível me for.

      Sim, oito anos é uma vida, basicamente...
      Mas extremamente louvável, digna e cheia de alegrias para compartilhar.

      Espero poder continuar sendo merecedor de tais palavras, nobre, com a humildade e sinceridade de sempre!

      Novamente, muito obrigado!


      Até mais!

      OBS: não apaguei seu comentário duplicado e nem o farei, nobre, em respeito à sua gentileza e respaldo. Por isto, eis minha resposta aqui novamente. Digno!

      Esse é o caminho, jovem Chell...

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