[Entrevista] Shoujo em Campanha - parte #2: Gustavo ~ Netoin!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

[Entrevista] Shoujo em Campanha - parte #2: Gustavo

A chamada da vez.
Dando prosseguimento à ação...

Amigo visitante, o especial de duas entrevistas do NETOIN! com os administradores da Campanha Mais Shoujos no Brasil chegou, oficialmente, à sua reta final. Antes de serem feitas as apresentações sobre as palavras que se seguirão após esta introdução, é necessário que você acesse a primeira entrevista, que contém as palavras da jovem Mayara acerca deste tema.

Dica de leitura aqui no NETOIN!

Desta vez, para encerrar os trabalhos com a categoria que se faz esperar, será a vez do nobre Gustavo apresentar as suas palavras acerca da Campanha em si, além dele enfatizar como acabou conhecendo a demografia em pauta, bem como as suas ideias quanto ao futuro da ação que ele auxilia à encaminhar nas redes sociais.

Tenha uma boa leitura.

Shoujo em Campanha
Parte #2: Gustavo

Um olhar ardente...
1) Como que você conheceu o universo dos shoujos, Gustavo?

Essa é uma boa pergunta. Creio que através dos animes que passavam na televisão que tive meu primeiro contado com shoujos, por meio das adaptações animadas dos mesmos. Claro que naquela época eu não sabia nada sobre quadrinhos japoneses, muito menos o que eram demografias e que elas ao menos existiam.

Só fui saber disso alguns bons anos depois, em alguma discussão sobre o assunto em alguma comunidade de animes e mangás do Orkut, e tive contado com alguns mangás do estilo (lembro que LoveCom foi um dos primeiros e era bem popular quando comecei a acompanhar). Provavelmente o que mais me chamou a atenção na época foram os corpos esguios dos personagens e o excesso de retículas que as mangakás costumam usar nas obras da demografia, que as tornavam bem diferentes dos outros títulos que eu estava acostumado a ler.

2) Diante de sua resposta anterior, qual é a definição que você daria para o dito shoujo em si?

Na minha opinião, o shoujo como demografia tem características bem próprias. Sendo algo voltado inicialmente para meninas e jovens adultas, esses títulos costumam oferecer uma perspectiva mais próxima da realidade de seu público-alvo, tendo ali referências que a leitora pode relacionar com situações de seu cotidiano, ao mesmo tempo em que representa pensamentos e ideias da mulher japonesa, visto que estamos falando de uma literatura voltada inicialmente para o mercado nipônico. Ou seja, um meio pelo qual as garotas possam se identificar.

Obviamente isso não impede que outras pessoas de outros públicos possam ler e se divertir com os títulos da dita demografia (sou um exemplo disto), e nem que não possam haver eventuais identificações com obras de outras revistas que não sejam shoujo, mas é algo que realmente me chama a atenção. Até tive uma boa discussão com a Roberta (do blog Elfen Lied Brasil) sobre esse assunto há algumas semanas e que ajudou na formulação dessa definição, aliás.

Uma cena inesperada...
3) Quais são as suas obras preferidas desta demografia? Explane, também, a razão de cada título citado ser tão querido por ti.

Carlírio do céu, não tem uma pergunta mais fácil aí não? Poxa, complicado. Mas acho que posso citar Orange, Yajirobee, Vitamin, Hirunaka no Ryuusei e Kimi ni Todoke. Os três primeiros por, além de serem leituras prazerosas (Orange não é nada prazeroso na verdade, sendo bem sofrido, ao ponto de aumentar a minha vontade em matar-me) e mais do que recomendadas para qualquer amante de quadrinhos japoneses, terem me dado momentos de reflexão sobre algumas atitudes que cometi ou ainda cometo no cotidiano (pequenas atitudes que podem fazer grande diferença na minha vida e na vida de outras pessoas).

Creio que ler só para diversão é mais do que válido, mas sempre busco algo a mais nas minhas leituras e dessas três obras tirei muitas lições valorosas que espero terem me moldado para ser alguém melhor. Também gosto do jeito com que as autoras conduzem as histórias. Orange de um jeito dinâmico e ao mesmo tempo tenso, Yajirobee mais calmo e Vitamin contando muita coisa em três capítulos, mas sem deixar nada mal explicado e com um final excepcional.

Hirunaka me conquistou inicialmente pela arte, e apesar de não ter achado o roteiro grande coisa no início, foi se desenvolvendo de uma forma única dentro dos shoujos de romance e teve um final completamente "inesperado". Não sei, mas foi algo que me surpreendeu muito positivamente. Gosto do jeito da Yamamori-sensei de contar as coisas também. E Kimi ni Todoke, é o meu amorzinho! Aguentaria tranquilamente mais cem capítulos daquela "babação", pois é bonitinho demais.

4) Com base nisto tudo, como surgiu a ideia de uma campanha em prol de shoujos no Brasil?

Devo confessar que eu não me lembro ao certo como surgiu a ideia. Assim, como um grande fã de Chihayafuru (um josei), fiz um post na página da Panini Mangás pedindo a publicação do mesmo aqui em terras tupiniquins. Sei que é algo meio difícil, mas não poderia deixar de tentar. Para a minha surpresa, o post teve uma boa recepção, passando dos mil likes e diversos comentários de apoio.

Mais ou menos nesta época, eu estava pensando em outros títulos que gostaria de ver no Brasil e notei que existia (e ainda existe) uma escassez de shoujos nas bancas do país, o que não soava certo na minha cabeça, visto o enorme contingente de pessoas que leem ativamente mangás do estilo. Como tinha feito uma campanha para a vinda de Pokémon Adventures no ano anterior (e que deu certo), surgiu a ideia de fazer outra campanha, mas dessa vez abrangendo toda uma demografia ao invés de um título só. Junto com a Mayara comecei a planejar um esboço do projeto e algumas semanas depois começamos a colocar em prática o que virou a Campanha Mais Shoujos no Brasil, uma iniciativa que visa a publicação de mais obras da demografia (e de joseis também), assim como a popularização das mesmas e a conscientização do público em geral, que ainda se mostra muito preconceituoso com relação a esses títulos.

Um estilo próprio...
5) Quais foram e/ou quais são os maiores desafios que tens com a campanha em si?

Como citado na última resposta, é desagradavelmente grande o número de pessoas que sequer acompanham shoujos e possuem cargas de preconceito com esses títulos. Isso atrapalha bastante, pois, devido ao desconhecimento desse pessoal sobre o assunto, muita gente é influenciada negativamente a não gostar da demografia. Inclusive grandes sites e até mesmo gente de dentro das editoras, que deveriam servir como boa fonte de conhecimento, se mostram despreparados e, pior, desmotivados a pesquisar sobre, soltando comentários totalmente inoportunos acerca do tema. Desta forma, sinto que perdemos potenciais leitores, que poderiam contribuir para o fortalecimento da iniciativa com opiniões e críticas construtivas, além de fortalecer o mercado consumidor de shoujo e joseis no Brasil.

Outro ponto é a falta de ânimo que algumas pessoas do nosso próprio meio (consumidores de shoujos) têm. Não sei se é em virtude do descaso antigo com a demografia (que diminuiu, mesmo ainda existindo), mas noto que existe quem parece ser excessivamente temeroso em arriscar demais. Entendo que o cenário o qual nós estávamos acostumados pode ter criado esse sentimento, mas essa precaução em demasia pode atrapalhar bastante no andamento da Campanha. Felizmente, com LoveCom e Orange parece que a situação mudou um pouquinho, visto que eram títulos mais "difíceis" de chegar à serem publicados no Brasil (especialmente Lovely Complex, por ter muitos volumes e ser mais antigo).

6) Quais foram e/ou quais são as maiores alegrias que tens com a campanha em si?

São muitas, mesmo. Ser citado pela representante de uma das grandes editoras do país em um dos maiores eventos de cultura japonesa da América Latina foi uma dessas alegrias. Porém, mais do que isso, ver que tivemos um apoio gigantesco e conseguimos fazer nossa causa dar resultados para as duas partes, chegando ao ponto de a Editora Panini se propor a criar um "mercado de shoujos" no Brasil. Isso me deixa muito feliz.

7) A campanha pode ser interpretada, por parte do fandom, como sendo "autoritária" (no que tange ao engajamento perante às editoras). Como tu analisa esta possibilidade, Gustavo? O que pensas sobre?

Realmente queria saber de onde tiraram isso. Talvez confundam falta de conformismo com autoritarismo, não sei. Ver que o fã de shoujo tem voz pode assustar alguns, mas deixo bem claro que nunca exigimos nada e muito menos temos a intenção de tirar os shounens e seinens das bancas (como surpreendentemente já vi gente comentando), apenas temos como proposta a reabertura do mercado de shoujos e joseis no Brasil, e para isso sugerimos títulos que, tendo como base nossas pesquisas, têm condições de contribuir para essa causa. Sugerimos, deixando bem clara a força nesta palavra.

Sim, existem aqueles membros mais eufóricos que acabam exagerando no tom, mas nossa posição oficial realmente não é essa.

8) Hoje, a campanha possui um papel de grande responsabilidade na "animesfera" e blogosfera animística brasileira. Como você se sente com isto? Está preparado para os novos desafios que isto deve acarretar?

Sério isso? Que honra! Ainda fico surpreso com a proporção que a campanha tomou, realmente não era esperado. Fico feliz, acho? Não sei que tipo de novos desafios seriam esses, mas podem vir!

Quando o romance paira no ar...
9) Gustavo, quais planejamentos você tem para o progresso e continuidade da campanha? Pensas em criar um blog, participar de podcasts, aumentar os contatos na área ou tem alguma outra ação em mente?

Isso é algo que nós estamos discutindo bastante dentro do grupo da campanha nas últimas semanas. Pretendemos sim continuar com o que viemos fazendo, analisando o que pode ser alterado e mudando algumas posições para potencializar o efeito que a campanha vem tendo.

Na minha opinião, já conquistamos grandes vitórias. Tendo aberto efetivamente os olhos das editoras para a causa, é hora de focar no público, nos leitores. Como já citei anteriormente, o preconceito com shoujos e joseis ainda é grande, e seria bom mudar isso.

Sobre criar um blog, eu realmente não tenho aptidão para isso. Mesmo postando tanta informação na página da Campanha no Facebook, não acho que seria capaz de manter um blog. Sobre podcasts, eu sou uma pessoa bem tímida e não sei se seria muito útil nesses programas. Mas se o assunto for shoujos e joseis de uma maneira geral, o Shoujismo cumpre muito bem esse objetivo, com uma equipe que entende bastante do assunto e que é super divertida. É interessante falar sobre os contatos, pois mesmo antes da criação da Campanha, já conhecia bastante gente da otakusfera e de dentro das editoras, e foi com a ajuda desse pessoal que tanta coisa deu certo pra gente. Seria legal conhecer mais gente!

10) Qual o seu sentimento atual, tendo em vista as palavras direcionadas à campanha pelas grandes editoras, no último evento em São Paulo/SP? Descreva o que isto lhe representa.

Sinceramente não sei como reagir ainda. Só tenho a agradecer pelo carinho que elas vêm mostrando ter para com a gente! Obrigado! Com certeza vamos retribuir!

11) Nobre rapaz, diga em poucas palavras o que tu deseja para todos que participam da campanha nas redes sociais.

Espero que continuem nos apoiando e que desfrutem bastante do que já conseguimos conquistar até agora. Esta Campanha não é minha ou da Mayara, mas de todos que desde o início vêm dando força para a causa, então parabéns pelo sucesso que todos tiveram! E vem mais por aí, podem aguardar.

12) Gustavo, a minha pessoa agradece bastante pela sua participação neste trabalho. Deixe, agora, o seu recado final. Pode conter desde maiores agradecimentos até a chamada para novas ideias, críticas, sugestões e afins.

Obrigado por ter vindo até nós com essa proposta, nobre Carlírio! Parabéns pelo primeiro milhão de acessos, pois torço para o sucesso do seu site. E mais uma vez, obrigado a todo mundo que nos incentiva e que faz essa campanha ser o que ela é. Continuem nos apoiando e enviando todo tipo de críticas e sugestões para o melhor andamento da mesma!

Também gostaria de deixar aqui um agradecimento especial à pessoa que me ajudou com tudo isso desde o início, a Mayara. Recentemente, devido ao desânimo dela animes e mangás, alinhado à motivos pessoais, ela decidiu sair da administração da Campanha. Foi mais de um ano ajudando na organização. Se não fosse pelos conselhos, ideias, a paciência e principalmente o entusiasmo dela, nós com certeza não teríamos chegado tão longe. Se eu dei o movimento inicial, mas foi ela quem mobilizou todo mundo e fez o movimento ter ficado com proporções tão grandes e ter adquirido tanta importância e relevância no cenário editorial. Realmente não dá pra colocar em algumas linhas a importância que ela teve para que tudo chegasse aonde chegou. Só tenho a agradecer por essa pessoa tão especial ter aceitado o desafio e encarado essa jornada com tanta dedicação e carinho. Obrigado, Mayara!

E a você, leitor do blog que chegou até aqui, tome uma estrelinha pelo esforço de ler tudo o que esse jovem programador sem futuro e amante de joseis escreveu. Até uma outra vez!

Um mesmo objetivo em pauta...
Com isso, encerrou-se este especial com duas entrevistas feitas
com os administradores da Campanha Mais Shoujos no Brasil.

Obrigado à você, amigo visitante, por ter acompanhado mais esta jornada
do NETOIN! além de, obviamente, também congratular os nobres entrevistados
pela simpatia e responsabilidade à frente de tão importante ação.

Até a próxima!

[ made in NETOIN! ]


Conheça o autor do NETOIN!, visitante...
Carlírio Neto
Carlírio Neto, um fã de animação e cultura japonesa desde os anos noventa. Dramas são a especialidade pessoal. O personagem Wataru, de Sister Princess, representa bem a personalidade de minha humilde pessoa.

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