[N! 10 Anos] Uma introdução às visual novels yuri ~ NETOIN!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

[N! 10 Anos] Uma introdução às visual novels yuri


O décimo post especial pela campanha #netoin10anos
está chegando para você, nobre visitante, com um tema deveras 
interessante e merecedor de sua ampla atenção...

Olá para você! 

Eu sou LKMazaki, redatora do blog Kono-ai-Setsu, e hoje estou participando no NETOIN! com um post para a comemoração de aniversário de dez anos do blog. Como o tema do KaS (diminutivo conhecido para Kono-ai-Setsu) é o shoujo-ai e yuri, não teria como trazermos algo diferente para colaborar com esta comemoração.

A dúvida foi mais quanto ao assunto em específico, já que o universo yuri é vasto e variado. Entre temas já lugar-comum e discussões mais profundas sobre as sutis distinções dentro desse próprio nicho acabamos por escolher algo mais simples e acessível, um sub-ramo que ainda pode passar desconhecido aos menos familiarizados (e talvez a vários que já apreciem o shoujo-ai).

Por isso neste texto vamos fazer uma breve introdução ao nicho das visual novels yuri. Vamos apresentar três franquias com características bastante distintas e que podem, individualmente, ser a porta de entrada de qualquer interessado neste meio. A começar pela maior e mais famosa franquia de visual novel yuri, sendo ela a Sono Hanabira.

Uma introdução às visual novels yuri

Jogo #1 - Sono Hanabira ni Kuchizuke wo (A Kiss for Petals)

A capa de Sono Hanabira.
Tendo seu primeiro jogo lançado em 2006 e já contando com dezenove jogos, além de CDs drama, versões “lite” para celular, light novels, série derivada e um OVA, SonoHana é com certeza a franquia mais bem sucedida dessa lista.

Desde o primeiros jogos da série ficou claro que o aspecto adulto (leia-se as cenas +18) seria o mais forte em SonoHana. O primeiro jogo da série, de duração curta para os padrões das visual novels apresentava uma história bastante rasa, com um plot já bastante desgastado da senpai e sua kouhai e por isso fica apenas com a parte adulta a responsabilidade de gerar algum interesse do jogador.

Porém, esta é uma característica que vai se transformando no decorrer da série. Não que o lado adulto seja descartado (não da série principal, mas em alguns derivados acontece de a classificação ser diferente), porém a necessidade de expansão de produtos que fossem capazes de manter o público interessado fez com que as tramas das personagens ganhassem pelo menos dinâmicas bastantes distintas com o decorrer dos jogos.

Esta imagem é mais do que conceitual.
É preciso enfatizar que não é necessário jogar todos os jogos da série para ter uma compreensão da trama. Existem algumas novels que se interligam por tratar de um mesmo casal de personagens, mas mesmo entre esses jogos existe um senso de independência.

Particularmente falando só joguei até o sexto jogo da série e ouvi alguns dramas, além de ter uma versão em inglês oficial me esperando na steam para ser terminada. Meu gosto pela série realmente só se solidificou ao jogar o terceiro game, Anata no Koibito no Tsunagi (Joined in Love With You), devido ao carisma das personagens da trama (Mai e Reo) além de sua dinâmica.

Jogo #2 - Katahane

A capa de Katahane.
Lançada originalmente em 2006 pelas produtoras Tarte e Longshot, Katahane foi um título que se difundiu dentro do fandom de maneira gradual. Traduções de fãs surgiram, mas a obra foi sendo conhecida por uma série de acasos. Quem já estava familiarizado com Sono Hanabira e procurava algo diferente, talvez com um enredo que não fosse tão preso às cenas eroge, mas que ainda fosse yuri, uma hora ou outra acaba ouvindo falar desse jogo.

Explicar a trama de Katahane é um tanto confuso se você não souber por onde começar, e especialmente se você quiser dar um enfoque na parte yuri. Então vamos começar pelo começo cronológico do enredo que se apresenta como principal num primeiro momento.

Neste primeiro plot temos Cello Sahade, um rapaz que vive nos arredores de um vilarejo com a companhia de Coco, uma boneca que possui vida própria, um tipo de criatura que existe neste mundo desde tempos antigos. Cello acaba descobrindo que sua amiga de infância, Wakaba Faure, escreveu uma peça que retrata um momento histórico do período em que a região era dividida em três reinos.

Devido à necessidade de ir ao encontro de um construtor de bonecas em especial para uma manutenção em Coco, Cello acaba se juntando à viagem da amiga. Ela e o irmão, Light, estão em busca de uma maneira de fazer uma encenação da peça, enquanto Cello busca o cuidado com o estado de Coco, porém a história vai naturalmente se desenvolvendo para que os caminhos deles se mantenham unidos mesmo depois do encontro do o construtor de bonecas que Cello buscava.

Neste início sequer foram citadas as duas personagens que estão na capa do game e que são o motivo da classificação yuri desse jogo. Uma dessas personagens é Angelina Rocca, uma órfã a aspiração de se tornar atriz e que trabalha e ajuda a manter o orfanato onde cresceu e ainda vive. A outra é Belle, uma boneca que vive com o construtor que Cero busca e que possui algumas propriedades bastante incomuns em sua construção, assim como Coco. A história de Angelina e Belle não parece ter nada em comum e realmente não tem, tanto que, de maneira bastante natural o enredo vai se desenrolando para que, apenas com mais de seis horas de jogo, pelo menos, as duas enfim se conheçam.

Uma bela imagem do jogo (divulgação).
Porém, Katahane ainda tem uma outra linha de enredo. Trata-se dos acontecimentos envolvendo uma traição histórica onde um nobre chamado Ein teria traído a rainha do antigo Reino Branco, Christina Dorn, e a assassinado. Acontece que na peça que Wakaba escreveu ela acaba construindo uma versão de história em que na verdade Ein não era um traidor, mas sim o mais leal de todos à Christina, ainda que seus atos não acabassem sendo vistos desse modo posteriormente.

Esta outra parte do enredo é tão importante que é retratada em uma sessão completamente própria da trama, chamada de Kurohane, em comparação ao Shirohane, que é onde a trama com Cello, Wakaba, Angelina e Belle se desenrola. Não fica claro se o Kurohane mostra os acontecimentos históricos que de fato se distinguem do que se tornou conhecido posteriormente, ou se na verdade é a versão da história escrita por Wakaba.

E o mais interessante desse enredo é que, quando retratado, podemos ver que as imagens de Christina e Efa, uma boneca que tinha convivência muito próxima (tipo, MUITO depois de um certo momento) são, não apenas parecidas, mas iguais às figuras de, respectivamente, Angelina e Belle. Para tornar tudo ainda mais interpretativo, ainda temos a presença de outra boneca, Coco, com a mesma aparência e comportamento da Coco do Shirohane.

Esta arte traduz muito bem todo o esplendor de Katahane.
Dentre tantos detalhes interessantes, a construção de Katahane com certeza é seu ponto alto, mas não é o único. O relacionamento de Angelina e Belle, em Shirohane se constrói de maneira tão natural quanto os outros aspectos desta parte da história. É de uma grande qualidade quando um roteiro é capaz de guiar seus personagens de maneira tão bem feita que tudo parece acontecer sem pressa, ao seu tempo, e ainda assim não ficar estagnado em nenhum momento.

Entre Christina e Efa tudo é muito mais tensionado e aflitivo. São sentimentos velados, escolhas difíceis, momentos de desespero e outros de paixão ao maior nível. Tudo mesclado ao arco da traição ou não de Ein e um conflito de poder bastante obscuro. Talvez seja proposital, mas o Kurohane é um contraponto ao Shirohane em máximo grau no aspecto de andamento e tom, mas isso sem perder a qualidade necessária para manter o jogador interessado. Pelo contrário, este momento é dos que mais mantém o jogador atento aos acontecimentos.

Vale aqui a menção de que a distribuidora JAST USA anunciou lançamento em inglês de Katahane. Segundo informações existentes até o momento a versão que sairá na Steam será censurada quanto ao conteúdo adulto, enquanto as outras formas de distribuição serão de conteúdo integral, ficando ao desejo do cliente escolher a versão do jogo que irá adquirir.

Jogo #3 - Kindred Spirits of the Roof (Okujou no Yurirei-san)

Capa de Kindred Spirits.
Talvez o jogo com maior prestigio no fandom yuri ocidental no momento, devido à sua tradução e lançamento pela plataforma Steam em fevereiro de 2016 pela distribuidora MangaGamer. Lançado originalmente em março de 2012 pela Liarsoft, a história tem como plot o encontro acidental da colegial Yuuna com duas fantasmas que habitavam no terraço de um dos prédios da sua escola.

Megumi e Sachi morreram em épocas distintas, mas acabaram se encontrando por habitarem os terrenos da escola e assim se apaixonaram. Porém, por terem morrido ainda jovens, elas sentem que seu sentimento não está consumado como uma paixão deveria se consumar (acho que vocês entenderam, não?). Então elas tem a brilhante ideia de utilizar de sua nova amiga, Yuuna, para ajudá-las a juntar potenciais casais de garotas da escola até que elas consumam seu amor (dentro da instituição!), com fim de fazer as fantasmas entenderem e, de alguma forma, consumarem também este amor. Daí em diante a vida de Yuuna passa a ser entender o que é o amor entre duas garotas ao mesmo tempo que tenta resolver o problema que os casais em potencial tem.

O ponto alto de Kindred está nos seus personagens e na maneira como os seus relacionamentos são desenvolvidos. Cada personagem e cada par abordado tem uma personalidade própria e única. Ainda que existem alguns estereótipos de relacionamento ao primeiro olhar, logo cada personagem trata de demonstrar em que aspecto se distancia das construções batidas, o que gera por si só diversos pontos de desenvolvimento que fogem dos lugares-padrão do gênero.

Uma das passagens de Kindred Spirits (divulgação).
Sendo um jogo onde o desenvolvimento da história de sete casais de garotas é realizado meio que paralelo, no decorrer dos meses, é claro que existem tipos de história para quase todos os gostos. Porém esta qualidade também trouxe certa polêmica quando alguns jogadores se sentiram desconfortáveis em acompanhar a leitura da história de um desses pares, onde uma das personagens é uma aluna e outra uma professora. Cabe a cada um fazer seu julgamento, mas é um fenômeno bem interessante perceber as distintas reações dos jogadores.

No Kono-ai-Setsu já fizemos um review com um pouco mais de detalhes, cujo link você poderá acessar mais abaixo, caso tenha interesse.

Análise de Kindred Spirits of the Roof no Kono-ai-Setsu

Comentários finais

Mais uma bela imagem de Sono Hanabira.
Visual novels, como qualquer mídia, dispõe de conteúdo variado, para diversos públicos e gostos dentro desses próprios públicos, e no nicho yuri não diferente. Escolhemos para este artigo três títulos bastante distintos entre si que demonstram as possibilidades de experiências de gameplay e de enredo.

O mundo das visual novels yuri é bem mais amplo do que isto, claro, porém ainda existe muito conteúdo que jamais ganhou sequer fã-tradução para inglês ou outra língua ocidental. Porém, este cenário vem mudando desde o lançamento de Kindred Spirits na Steam. Desde lá alguns outros títulos de qualidade vem sendo lançados e a tendência é que este movimento continue de com força no próximo ano.

Gostaria de agradecer mais uma vez, em nome da equipe do Kono-ai-Setsu, pelo convite do Carlírio para esta participação especial no NETOIN!. Para os que se interessarem em conhecer mais do universo shoujo-ai e yuri, fica o convite para visitar o KaS.

E, claro, não poderia fechar esse texto sem parabenizar o dono deste blog pelo trabalho que vem desenvolvendo ao longo desses dez anos, trazendo conteúdo novo e formando um espaço para comentários interessantes sobre animes e a própria blogosfera do assunto. Desejamos que o blog continue este incrível trabalho e siga sempre crescendo e trazendo conteúdo de qualidade.

Parabéns aí, Padrinho!


Desta forma, o especial #netoin10anos chegou em um crucial momento.
E o NETOIN! agradece muito ao Kono-ai-Setsu por este belo trabalho.

Até a próxima!

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Conheça a autora do Kono-Ai-Setsu, visitante...
Lilian Kate Mazaki
Lilian Kate Mazaki, uma jovem que não consegue deixar o seu cérebro descansar. Adora literatura. Fã de sci-fi. Cria personagens e histórias, como o Bouken-Ni. Fundadora do NUPO Cooperação Criativa. Gosta muito de obras shoujo-ai e yuri. Também muito ajuda a pessoa especial ao seu lado.

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