Kill la Kill com as suas vertentes familiares e sociais... ~ Netoin!

domingo, 17 de novembro de 2013

Kill la Kill com as suas vertentes familiares e sociais...

Mãos à obra!

Que Kill la Kill está sendo um verdadeiro sucesso na atual temporada de animes é um fato do qual não se duvida. Tendo isto em vista, é mais do que natural que muitas pessoas apliquem o selo de favoritismo para esta obra, com o pretexto do mesmo poder ser condecorado como a melhor animação japonesa de 2013.

A visão de minha pessoa sobre este anime é bem conhecida de vários, estando a mesma centrada no alto fator de diversão que a obra carrega em seu DNA mais íntimo. Muito embora fixar o título em questão em um pedestal não seja da alçada de minha humilde pessoa (muito também em não ver a obra de tal forma), a verdade é que a fama da mesma se explica sozinha. É uma grande conquista para os responsáveis de Kill la Kill, pois mesmo dividindo opiniões quanto ao seu visual, segmento de enredo e caracterização de personagens, o anime consegue agradar bastante.

Entretanto, após ter assistido ao sétimo episódio da obra, pode-se constatar os flagelos mais íntimos e substanciais de sociedade e família que tal capítulo carregou. É esta a temática que será trabalhada neste texto, a qual você é convidado à acompanhar  neste momento, amigo visitante.

A questão da família...

A primeira mudança social...

Segundo a história básica de Kill la Kill, Matoi Ryuko é uma jovem que busca vingança contra a pessoa que matou seu pai. À primeira estância ela é uma guerreira solitária, pois não possui família e ninguém que a ampare diretamente. E nos primeiros episódios deste anime apareceu uma jovem chamada Mankanshoku Mako, que acabou se tornando de forma rápida a grande companheira da protagonista em suas aventuras na grande Academia Honnouji.

Na sequência de seus episódios, a Mako já se envolveu em muitos problemas (aliás, logo no primeiro isto se mostrou bem aparente), de forma que a Ryuko passou a ter de salvá-la em tais oportunidades. O anime ganha créditos nisto pelas situações que foram criadas, pois a própria protagonista não teve vida fácil em tais oportunidades, sendo que algumas delas teve a clássica dosagem de sorte para que a Ryuko triunfasse no final (clichê dos mais bem-vindos, diga-se de passagem).

Até então, um elo de confiança havia sido criado entre estas duas personagens. Contando com o fato da Ryuko ter passado à viver na residência da família Mankanshoku (que é extremamente pobre e vive na parte mais baixa da cidade, economicamente falando), a Mako passou à ser mais do que uma amiga para a protagonista, pois todo o convívio da dupla aparentou ser o de verdadeiras irmãs, cada vez mais.

O agradecimento.

Seria questão de tempo imaginar que, cedo ou tarde, Kill la Kill viesse à colocar em uma vertente a amizade e união das duas personagens, até porque a Ryuko sendo uma "membra adotiva" da família Mankanshoku deixaria as coisas ainda mais fáceis de serem trabalhadas, pois é possível conceituar em mente muitas situações em que a temática lançada seria possível. E os responsáveis por este anime acertaram em cheio ao lançar a temática família dentro do escopo de sociedade trabalhado por esta obra.

Em primeiro lugar, o conceito de cargo social está totalmente atrelado à quantidade de estrelas que um estudante tem dentro da Academia Honnouji. Se tal pessoa deseja subir de vida (status social), deve-se levar em conta os caminhos (geralmente doídos e tortuosos) para fazê-lo primeiramente dentro da instituição de ensino. Como toda a Academia está atrás da Ryuko (basicamente), inúmeros clubes acabaram sendo criados com tal ideia de fundo. Nisto, muitos alunos foram promovidos à duas Estrelas, o que indiretamente leva à crer em uma melhor vida para os mesmos e suas famílias.

Uma breve conversa entre a Mako e a Ryuko levou a segunda a criar o clube de luta, tendo a primeira personagem citada como presidente. O início pareceu realmente promissor, pois os Mankanshoku puderam deixar para trás a vida que levavam na periferia (contextualidade no anime, unicamente) e acabaram adentrando em um grau acima. Com o trabalho forte e preciso da Mako para seguir adiante com tal ideia, precisou-se de pouco tempo para uma nova evolução social ser consumada e tanto ela quanto a sua família (incluindo a Ryuko) puderam usufruir de um alto status social.

Uma mudança que parece não ter caído muito bem...

Mas algo não estava certo. Em si, o contexto era correto. A Ryuko queria jogar contra a Kiryuuin Satsuki (presidente do Conselho Estudantil de Honnouji) usando das próprias ferramentas dela (a gestão de elevação de cargo/vida por estrelas). Mas a mente da Mako acabou entrando em sistemática de crescimento econômico-social com tal chamada e, assim, passou a não muito ligar para a sua amizade com a Ryuko, contanto que seu nível se elevasse cada vez mais dentro da Academia Honnouji e que, desta forma, pudesse ter uma vida cada vez melhor.

O pensamento expresso ao final do parágrafo acima estaria totalmente correto se não fosse por um detalhe que, nele, acabou se mostrando ausente. O mesmo aplica-se à Ryuko, que estava sentindo falta de toda a alegria e carisma que a família Mankanshoku sempre mostrou ter. Aos poucos ela foi sentindo uma distância que para ela fez muito mal, internamente falando. Como não reagir perante isto era impossível, e vendo que a situação era muito desgastante, ela entregou à Mako a famosa carta de saída do clube, em uma resposta clara a tal situação.

O momento escolhido para isto não foi cem porcento adequado, à princípio, mas mostrou-se muito coerente na sequência. A porcentagem máxima foi atingida durante o inesperado embate entre a Mako e a Ryuko, que culminou com a presidente do clube de luta enxergando os próprios erros (por assim exclamar) e não entregando-se ao que a Satsuki tanto desejava ver ali. Levantou-se, em minha pessoa, o questionamento se a Mako realmente não sabia desde o início sobre o que estava fazendo, se ela (e não a Ryuko) estava à testar o seu vínculo de amizade, entre outras coisas. Na verdade tal pensamento ainda se mantém, mas ainda na busca por uma resposta mais enfática.

O combate se aproxima!

Com tal incógnita sendo deixada de lado neste momento, é o momento de trabalhar a real chamada. A Ryuko estava tão acostumada com aquela vida, simples e agitada que ela tinha junto da Mako e familiares dela, que acabou não pensando duas vezes em querer se desvincular do clube de luta para ver se, desta forma, a situação voltaria aos seus eixos mais naturais. A própria Mako, na questão, acabou demonstrando que voltar ao nível social mais baixo daquela cidade era o ideal. Em sua mente estava a saudade daquela vida mais feliz e agitada, além do fato mais explícito de todos, estando o mesmo atrelado como ela, a Mako, estava tratando a Ryuko durante o processo de escalada na Academia Honnouji.

Os laços familiares acabaram se mostrando como fortes no sétimo episódio de Kill la Kill. Os seres humanos, em sua imensa maioria, são dotados daquele ensejo supremo pela subida na vida. Muitas  vezes desconhecem os preços à serem pagos para que tal nível seja conquistado. A Mako acabou dando, ao modo dela, um ótimo exemplo disto. Às vezes é bom repensar bem sobre atitudes e ações, no que tange à elevação do nível social, para que não exista um registro negativo nas relações familiares.

Atrela-se aqui a ficção de Kill la Kill e sua sútil ligação com a vida real, em um episódio que realmente mostrou bem o quanto um laço familiar pode ser importante. E porque não enfatizar, até aonde uma amizade pode ser considerada forte (ou não).

A questão social...

Hora do combate quase inimaginável...

Tudo que foi citado nos parágrafos acima cabe diretamente à segunda proposta estabelecida neste episódio. A mesma se faz presente no entendimento social de toda a situação, que está ligada à temática da família já comentada. E a questão de classes é muito mais ligada a realidade que rodeia a minha pessoa e à você, nobre visitante, do que quaisquer outra coisa.

Dizer como você agiria no lugar da Mako, na maior sinceridade do mundo, é bem complicado. Muitas das ações humanas são definidas pelo chamado momento, a circunstância, e dificilmente aparece alguém que racionalize em poucos segundos alguma ação que pode determinar tudo que ocorrerá em sua vida à partir de então. Minha pessoa, por exemplo, costuma pensar demais até sobre as questões mais simplórias possíveis.

Voltando ao episódio, a explicação das classes por estrelas da Academia Honnouji vai de encontro quase direto com a sociedade humana atual. Muito daquilo que você faz, estimando uma melhora considerável em seus rendimentos e qualidade da própria vida, tende à passar por caminhos difíceis. No anime, a amizade entre a Ryuko e a Mako chegou à estar em xeque. Na vida real, algumas amizades podem sim estar atreladas ao processo, mas a contextualização vai muito além disto.

O significado da corrida é...

O mundo atual é movido pela competitividade. No final das contas, o mais forte acaba sobrevivendo. Aquisições de empresas mostram este fato com uma naturalidade monstruosa. É quase uma guerra fria presente nas mais diferentes camadas sociais. O preparo pode tudo predizer, mas ao mesmo tempo poderá colocando algo à perder. No que tange às pessoas (no escopo mais individual) não é muito diferente.E as palavras da Satsuki, durante a luta entre a Mako e a Ryuko, deixaram tal ideal ainda mais marcante.

Na visão da Presidente do Conselho Estudantil, Satsuki, aquelas pessoas que viviam na cidade não passavam de porcos com vestimentas humanas. Bastava dar à elas a oportunidade de usufruir por um momento da chamada vida mundana (com luxúria e condições nunca antes almejadas por tais) que suas verdadeiras intenções ficariam amostra para todos. Além disto, a Satsuki clamava que tais "porcos" tinham de ser por ela "domesticados". Em outras palavras, a dona do maior poder da Academia Honoouji via a humanidade unicamente com ares de intolerância e repulsividade.

Seria o chamado controle do fraco pelo mais forte. Não cabe aqui manifestar repúdio ou admiração por tal linha de raciocínio. O mais correto para ser afirmado com naturalidade é que a forma de pensar da Satsuki está bem presente no mundo real, pois existem pessoas que assim pensam e mantém as suas lógicas de vivência em sociedade. A História do homem na Terra tem mostrado exemplos disto ao longo dos séculos. Mas no âmbito social atual, o agravante é tão forte quanto o mostrado no anime.

A Satsuki, com sua expressão facial mais rotineira.

Pode parecer uma grande loucura de minha pessoa, mas dá-se a impressão de que a Satsuki planeja estabelecer uma Nova Ordem Mundial (no contexto do anime). Ela anseia ter o poder máximo sobre todos. Não é difícil imaginar que, para ela, os quatro grandes da Academia (detentores de uniformes três Estrelas) também não devam passar de fantoches em suas mãos (à rigor, não é um pensamento distante da realidade). A criação de clubes derivados de ramificações em seus originais (no intuito de caçar a Ryuko à qualquer custo) também reforça tal tese.

A Satsuki soube como atacar com veemência, tendo calculado como alvo a inocência e a pressa de tais pessoas. Mas por detrás disto havia também um sentimento ainda maior em sua investida, pois ela queria livrar a Academia Honnouji daqueles que ela considerava como indignos da mesma. Um processo ardiloso porém real e poderoso, estabelecido pela própria detentora do poder máximo de tal instituição de ensino. Ela pensava em premiar disfarçadamente os "incompetentes", mas logo tratou de usar a própria Ryuko para realizar o "trabalho sujo", sem a própria protagonista ter isto percebido.

Houveram muitas referências do segmento sócio-social em Kill la Kill até o momento, mas na visão de minha pessoa nada conseguiu sobrepujar o que aconteceu no sétimo episódio. Foi um convite claro ao raciocínio estabelecido por tal capítulo que se tornou o preferido deste anime por minha pessoa.

O canal está aberto para a troca de opiniões. Faça a sua parte, 
amigo visitante, deixando seu ponto de vista sobre os pontos aqui lançados 
ou quaisquer outro fato que tenhas observado no sétimo episódio de Kill la Kill.

Até a próxima, visitante!

Veja alguns textos de grande pesquisa sobre Kill la Kill
no site parceiro Elfen Lied Brasil

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Carlírio Neto
Carlírio Neto, um fã de animação e cultura japonesa desde os anos noventa. Dramas são a especialidade pessoal. O personagem Wataru, de Sister Princess, representa bem a personalidade de minha humilde pessoa.

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6 Comentários

  1. Realmente faz pensar o que foi abordado neste episódio, considero o segundo melhor até agora e veio recuperar a série já que os dois episódios anteriores considerei fraco.

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    1. Saudações


      Vejo Kill la Kill em uma linearidade que se sustenta com tranquilidade, nobre, muito embora eu não coloque a obra lá em cima...
      De toda a forma, este episódio me chamou tanto a atenção que acabei fazendo este post...


      Até mais!

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  2. Quando vi este episódio, eu fiquei pensando em como na corrida para o sucesso, acabamos deixando de admirar tudo o que a vida pode nos oferecer, que são o carinho existente nas pessoas que nos rodeiam. Ficamos tão aficionados naquilo, que tornamos mais cínicos, mais materialistas e com isso, sofremos com a solidão que todo este processo gera. Não é engraçado, falando de um modo generalizado (claro!), como as famílias mais pobres tendem a sorrir mais na mesa de jantar/almoço? Eles tem menos condições, então sabem o valor que cada grão daquela comida representa e da necessidade de dividir com aqueles que vivem sobre o mesmo teto. Quando há muito abastança, parece que a tendência é se distanciar um do outro... é estranho!

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    1. Saudações


      Isto que descreveste não foge à realidade, amiga Roberta, infelizmente.
      Geralmente as pessoas tendem á dar mais valor as coisas que possuem quando sabem o quão difícil e trabalhoso foi o processo para ter tais conquistas. Quando se tem algo com alguma abundância (ou com facilidade extrema), o sentimento de zelo e de cuidado é quase nulo.

      Interligações humanas, que vão da aparente simplicidade em se sentar à mesa para comer até as mais luxuosas, são assim desde muito tempo...
      Não me atrevo a dizer, singularmente, que a Satsuki tenha razão no ponto de vista dela. Mas nas entrelinhas, ela acabou lançando quem assistiu ao episódio em análise a uma contundente realidade (porém bem distante dos termos por ela usados).


      Até mais!

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  3. Olá!!

    Esse é um dos animes que infelizmente não estou acompanhando. E até ler esse post desconhecia totalmente qual era sua temática. E ele parece ser realmente bom, para chamar a atenção das pessoas. Pelo menos, já muitas pessoas em minha TL comentarem sobre o anime. ^^

    Só não curti um pouco a arte. Mais quem sou eu para falar isso?

    Realmente, sua temática é boa. Quem sabe eu não dou uma bisbilhotada no anime qualquer dia desses...

    Até mais

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    Respostas
    1. Saudações


      O post em si é mais enfático ao sétimo episódio, nobre, pois o mesmo chamou tanto a minha atenção que acabei desenvolvendo tal post sobre seu enredo e sequência...

      E sim, Kill la Kill é bem o anime mais popular da atual temporada. Ele possui seus méritos para tanto, inegavelmente. Mas, pessoalmente, não o conoto como a melhor a obra do momento (muito embora a maioria das pessoas assim o faça).

      Se assistires Kill la Kill, gostaria de ver muito vossa opinião sobre esta obra, nobre Natália.


      Até mais!

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